Estigmas do Rock do Sul

Leo James

Eae porra!!!

Saudações ao programa Bigorna e a todos que o assistem e o apóiam, pois esse sim é um verdadeiro programa de Rock and Roll meus amigos, sem frescuras ou “segundas intenções”, que esfrega na tua cara o que é som pesado de verdade, exatamente o que a cena do Sul precisava!
Sem mais delongas, vamos ao que me compete nesta coluna, falar do tal do Rock and Roll, principalmente das suas vertentes viscerais.
Estréio aqui com um tema que me incomoda bastante, aliás, que incomoda a todos que buscam viver de Rock no Rio Grande, a nossa rica, porém desvalorizada, Cena Rock.
A Cena Rock do Sul é caracterizada por bandas influenciadas pelas bandas dos anos 60 e 70, como Beatles e Stones, o que não é problema algum, já que isso trouxe uma identidade pro som que fazemos aqui, principalmente pelo nosso sotaque, que nos distingue dos demais estados, mas o problema está no fato de que estas são as bandas que mais se destacaram, e se ainda destacam, fora do estado, e especialmente por isso são tão reconhecidas até então. A questão principal que quero focar é que nem só de guitarras estaladas e baterias “relóginho” vive o Rock Gaúcho. Black Sabbath, Kiss, Metallica e Led Zeppelin, por exemplo, são influências para muitas bandas gaudérias que fazem boa música e estão buscando seus lugares nos palcos e ouvidos da gurizada, porém não tem o espaço e a valorização que merecem. O fato que mais me chama atenção quanto a isso é o estigma de que o que é de “casa” não é tão bom quanto o que vem de “fora”, pensamento de muito que só dão ouvidos às bandas locais quando essas debandam daqui e só voltam duas vezes por ano pra lançar um disco ou pra tocar num festival. Existe um ciclo, que parece não ter fim, que praticamente determina que só depois que as bandas locais fogem dessa Cena, que nasce e morre sem sair do lugar, é que conquistam o devido respeito de quem os idolatra depois.
Não estou dizendo que temos que gostar de tudo o que é feito aqui, é claro que tem muita bosta por aí também, e vocês sabem do que e de quem eu estou falando, mas como sabemos essas “modinhas” não perpetuam, e o “Do Mal” sempre vence, mas quero deixar aqui o recado, que também pode ser encarado como protesto, já que sou um dos tantos músicos que buscam viver para a música, (que é diferente de viver de música, uma visão que pode ser compreendida de maneira equivocada) que abram os ouvidos e a cabeça pras bandas que estão tocando no boteco da esquina, compareçam nos shows das bandas dos seus amigos, apóiem os músicos daqui, acreditem no Rock do Sul, tem muita coisa boa rolando, pedindo espaço e que não deve nada pras bandas de fora, vamos fortalecer a cena, seja a do Blues ou a do Metal, não adianta só reclamar que nas rádios só toca bosta, façamos alguma coisa juntos, ou nos calemos para sempre!

Leo Jamess – Draco e Parasite KISS Cover

Apresentação Uni-vos, amigos do metal!!

3 comentários

  1. Peter Guss
    #1

    Bah negão, matou a pau! Muito bom teu texto véio, parabéns! É isso aí gurizada, vamo primeiro ouvir as véia tocar pra depois levantar a fuça produzir algo que preste. Viva o Kiss, viva o Scorpions, viva o Queen e por aí vai… O resto é resto!

  2. R.
    #2

    Olá, Leo James. Parabéns pelo espaço conquistado na mídia. Espero que faça bom uso, tanto no campo da divulgação quanto no da opinaria, como diria um amigo meu. E falando em opinaria, tu me permite discordar? Sou daqui também, acompanho e usofruo da “cena” de Poa, tanto da do rock pesado quanto a do rock reloginho. Reconheço a falha da cena Metal daqui, esse desinteresse pelas bandas underground, e embora eu não possa pontuar precisamente o porquê disso acontecer nessa cena, especificamente, enquanto na de pop/rock alternativo isso parece não ser tão aparente. Acho justo que reflitamos. Observando, eu dou meus pitacos. Acho que o público do metal difere do de bandas como Identidade, Pública e outras formadoras é que, com todo o respeito, essas bandas parecem mais comprometidas do que as bandas que vemos tocar nos festivais de Metal. Qual o meu embasamento? Não é o caso da Draco, que toca há bastante tempo, mas acho – posso estar errado – que há uma tendência nos músicos de heavy metal em desistir um tanto mais cedo do que os de bandas como as mencionadas, e isso por diversos fatores: descrença, desinteresse, além de o fato de que o metal é um gênero de um público muito específico, o que pode ajudar na desilusão dos aspirantes a artistas da área: o sucesso profissional e financeiro é bem complicado de se atingir quando o gênero com o qual se pretende trabalhar depende da aceitação de uma minoria. Fiel, dedicada e bem-intencionada!, mas anda assim uma minoria. Não estou necessariamente colocando a culpa nos músicos, mas às vezes me pego pensando de que, de vez enquando, eles não têm a visibilidade devida do lugar e do momento em que estão querendo se inserir. A cena underground de Poa, no que diz respeito ao metal e ao hard rock e qualquer outro tipo de música com distorção em ganho máximo, ainda perde muito para cenas de cidades do interior: em unificação, cumplicidade e força de vontade de realmente querer fazer dar certo. E dar certo no rock n’ roll, todos sabemos o que significa: se divertir. Quem sabe, num segundo momento, com um pouco de sorte e com muito trabalho e muita visão, dar certo, profissionalmente falando. Se a gente ainda estivesse no tempo da zine, garando que a coisa seria muito diferente. É o que eu acho. Seguirei lendo. Forte abraço. (:

  3. Fanny Webber
    #3

    Concordo com o ponto de vista, e desejo acresentar mais uma coisa: Em relação a Porto Alegre temos alguns lugares que ja foram berço para o rock daqui e conseguiram destaques graças aos musicos formados aqui, mas esses lugares acabam sempre completando o ciclo de abrir espaço para “nós” quando estão em baixa e quando o faturamento aumenta, simplesmente nós substituem por bandas “de fora”, chamando os “de casa” somente quando volta a ter pouco movimento. Diferente do Interior que dá algum crédito para o trabalho daqui, até mesmo o público cria o respeito pelo que é feito nessa terra. Em resumo, porto-alegrense é foda mesmo .(sentido pejorativo)

Deixe uma resposta





XHTML: Voc pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline