Estigmas do Rock do Sul
Eae porra!!!
Saudações ao programa Bigorna e a todos que o assistem e o apóiam, pois esse sim é um verdadeiro programa de Rock and Roll meus amigos, sem frescuras ou “segundas intenções”, que esfrega na tua cara o que é som pesado de verdade, exatamente o que a cena do Sul precisava!
Sem mais delongas, vamos ao que me compete nesta coluna, falar do tal do Rock and Roll, principalmente das suas vertentes viscerais.
Estréio aqui com um tema que me incomoda bastante, aliás, que incomoda a todos que buscam viver de Rock no Rio Grande, a nossa rica, porém desvalorizada, Cena Rock.
A Cena Rock do Sul é caracterizada por bandas influenciadas pelas bandas dos anos 60 e 70, como Beatles e Stones, o que não é problema algum, já que isso trouxe uma identidade pro som que fazemos aqui, principalmente pelo nosso sotaque, que nos distingue dos demais estados, mas o problema está no fato de que estas são as bandas que mais se destacaram, e se ainda destacam, fora do estado, e especialmente por isso são tão reconhecidas até então. A questão principal que quero focar é que nem só de guitarras estaladas e baterias “relóginho” vive o Rock Gaúcho. Black Sabbath, Kiss, Metallica e Led Zeppelin, por exemplo, são influências para muitas bandas gaudérias que fazem boa música e estão buscando seus lugares nos palcos e ouvidos da gurizada, porém não tem o espaço e a valorização que merecem. O fato que mais me chama atenção quanto a isso é o estigma de que o que é de “casa” não é tão bom quanto o que vem de “fora”, pensamento de muito que só dão ouvidos às bandas locais quando essas debandam daqui e só voltam duas vezes por ano pra lançar um disco ou pra tocar num festival. Existe um ciclo, que parece não ter fim, que praticamente determina que só depois que as bandas locais fogem dessa Cena, que nasce e morre sem sair do lugar, é que conquistam o devido respeito de quem os idolatra depois.
Não estou dizendo que temos que gostar de tudo o que é feito aqui, é claro que tem muita bosta por aí também, e vocês sabem do que e de quem eu estou falando, mas como sabemos essas “modinhas” não perpetuam, e o “Do Mal” sempre vence, mas quero deixar aqui o recado, que também pode ser encarado como protesto, já que sou um dos tantos músicos que buscam viver para a música, (que é diferente de viver de música, uma visão que pode ser compreendida de maneira equivocada) que abram os ouvidos e a cabeça pras bandas que estão tocando no boteco da esquina, compareçam nos shows das bandas dos seus amigos, apóiem os músicos daqui, acreditem no Rock do Sul, tem muita coisa boa rolando, pedindo espaço e que não deve nada pras bandas de fora, vamos fortalecer a cena, seja a do Blues ou a do Metal, não adianta só reclamar que nas rádios só toca bosta, façamos alguma coisa juntos, ou nos calemos para sempre!
Leo Jamess – Draco e Parasite KISS Cover


